quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Pragas e doenças

Resumo escrito por FRANZÃO, A. A. e MELO, B.

Pulgão (Aphis spiraecola)
Estes insetos destacam-se na estação seca. Atacam geralmente a extremidade tenra dos ramos -a sua preferida- após um surto de crescimento.
Os pulgões podem causar sérios prejuízos à planta. Ao sugarem a parte final dos ramos, provocam seu murchamento e morte, o que força a planta a gerar brotos laterais. É comum o pulgão atacar flores e frutos em formação, prejudicando a produtividade geral da cultura.
Bicudo (Anthomonus flavus Boheman)
Este inseto faz a sua oviposição no ovário das flores e nos frutos em desenvolvimento, que serve como alimento a eles (Marty e Pennock, 1965). Quase sempre os frutos atacados pelo bicudo se deformam. Marty e Pennock sugerem três medidas básicas:
1. Pulverizar com paration na época do florescimento repetindo dez dias após.
2. Recolher e enterrar todos os frutos caídos no chão.
3. Eliminar as outras espécies do gênero Malpighia existentes próximas ao pomar.

Nematóides
De todas as pragas que atacam a aceroleira, o nematóide é a de maior importância econômica. (Internacional Board. Plant Genetic Resources, 1986). A aceroleira é muito sensível ao ataque dessa praga. Estes parasitos atacam as raízes, induzindo-as a formação de galhas (Marty e Pennock, 1965). As plantas ficam enfraquecidas e se desenvolvem menos na parte aérea e nas raízes que encurtam e engrossam. A infecção das raízes Choud hury e Choud hury (1992), atrapalha na absorção da água e nutrientes do solo, e isso se reflete no crescimento da copa da planta.
A acerola é realmente suscetível aos nematóides segundo Ferraz e outros, porém é resistente a Pratylenchus brachyurus e a Meloidogine graminicola , Radpholus similis , Rolytenchus reniformis e Tylenchulus semipenetrans. Pomares no município de Mossoró, Rio Grande do Norte, apresentaram baixo desempenho em virtude da quebra do ritmo do crescimento e produção das plantas, em conseqüência do ataque do Meloidogyne arenaria e Meloidogyne incognita já mencionados.
Choud hury e Coud hury, 1992, recomendam aos fruticultores seguintes medidas para diminuir a população desses nimatóides.
1. Obter mudas sadias, produzidas em solos não infetados por fitonematóides.
2. Utilizar leguminosas como Crotalaria spectabilis e Crotalaria paulinea para posterior incorporação no solo.

Outras pragas
Poderá ocorrer o ataque de cochonilhas e cigarrinhas não identificados más de controle simples, com pulverizações para o seu combate.
Simão (1971) informa que em algumas épocas do ano a mosca-da-fruta, Ceratitis capitata, causa prejuízos aos frutos da acerola. Simão recomenda o uso de paration ou óleo mineral para o controle das cochonilhas de enxofre para os ácaros, e de produtos à base de fenthion como isca ou pulverização contra a mosca-das-frutas.


Doenças

O desmatamento para a implantação da aceroleira implicou na quebra do equilíbrio biológico, como conseqüência, o surgimento de enfermidades até então não relatadas para a cultura da acerola em outros paises produtores.
Marino Neto (1986) e Marty e Pennock (1965) relatam a ocorrência da cercospora (leaf spot) ou mancha-das-folhas como sendo o maior problema da cultura da acerola no Havaí.
O fungo Cercospora bunchosiae , aparentemente só ataca as folhas da acerola em alta precipitação e alta umidade relativa do ar. Essa doença pode causar sérios danos e se caracteriza pela presença de pontuações necróticas medindo 1 a 5mm de diâmetro, arredondados ou irregulares, que amarelecem e caem. Segundo Melendez (1963), nesse caso pode dar-se a desfolhação total da planta.
Marino Neto (1986) informa que os clones ou variedades de frutas mais doces são dotados de grandes resistência a cercosporiose e as ácidas apresentam diferentes graus de tolerância. Para esse autor, os produtos químicos à base de cobre na sua formulação controlam essa doença.
Nas áreas irrigadas do semi-árido nordestino, a cultura da acerola ainda não apresentou nenhum problema fitossanitário associado a doenças. Tampouco nos pomares da região do Submédio São Francisco e de outras áreas irrigadas do Nordeste a presença da cercosporiose. É possível que em climas com baixa umidade relativa do ar, esse problema fitossanitário não aconteça, pelo menos a curto ou médio prazo.
Há duas doenças, que poderão eventualmente atacar os pomares de aceroleira. A verrugose e a antracnose.
Antracnose Constitui-se de uma enfermidade da acerola no Brasil, podendo afetar tanto em mudas quanto em plantas adultas, os sintomas da antracnose são, manchas esbranquiçadas, com estreito marrom circundando a área necrosada. Nos frutos infectam e causam manchas pequenas, enegrecidas, as quais podem coalescer aumentando a área necrosada.
Os frutos atacados não se prestam para a exportação se tornando em prejuízos aos produtores.
No Brasil não existem defensivos agrícolas para a acerola, mas em pesquisas em desenvolvimento pela EMBRAPA/CNPAT mostram que o fungo pode ser controlado através de pulverizações preventivas com oxicloreto de cobre e pulverizações curativas com benomil ou tiofanato metílico + chlorotalonil.
Verrugose De constatação recente no Brasil, foi identificada pela primeira vez no Estado do Pará (Trindade et alli,1993). Recentemente em Lucena, no litoral da Paraíba. Essa enfermidade se caracteriza por rugosidade nas folhas, principalmente na superfície superior, as vezes com nervura das folhas. Em infecções severas as folhas apresentam limbo retorcido. Os prejuízos mais notórios são notados nos frutos. A rugosidade decorrente da infecção afetam o desenvolvimento normal dos frutos, provocando distorções e atrofiamento, podendo não atingir a maturidade ou terem aspectos externos comprometido. O agente causal da Verrugose é o fungo Sphaceloma sp. Desconhecem-se, até o presente, medidas eficientes para o controle do patógeno sobre a acerola. A doença foi inicialmente encontrada no Havaí.

Fonte: http://www.fruticultura.iciag.ufu.br

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